Não houve rendição, não houve traição: guerra cibernética, mídia e a nova face da agressão dos EUA contra a Venezuela
O que aconteceu na Venezuela não foi rendição, nem acordo secreto, nem traição da alta cúpula bolivariana. Foi uma operação de guerra híbrida conduzida pelos Estados Unidos, combinando ataque cibernético, superioridade tecnológica, ação militar relâmpago e, paralelamente, uma ofensiva midiática coordenada.
Parte dessa narrativa foi exposta inicialmente em publicações como esta:
🔗 Publicação no Instagram – análise da ofensiva cibernética dos EUA
A tentativa de enquadrar o episódio como “rendição” ou “traição interna” não é erro jornalístico inocente. Trata-se de guerra psicológica, prática recorrente nas intervenções imperialistas do século XX e XXI.
Semeando discórdia: o papel da mídia corporativa
Logo após o ataque, setores da mídia corporativa latino-americana — inclusive no Brasil — passaram a insinuar:
- suposta rendição do governo venezuelano
- traição da alta cúpula militar
- conluio político com Donald Trump
Essas insinuações cumprem funções muito claras:
- quebrar o ânimo popular
- gerar desconfiança interna
- desmobilizar a resistência
- legitimar a agressão externa
É a mesma cartilha aplicada em outros processos de desestabilização: quando a invasão não pode ser assumida abertamente, ataca-se a moral, a coesão e a narrativa.
O que aconteceu de fato: guerra híbrida em três atos
Para evitar os custos políticos de uma invasão terrestre prolongada ou de bombardeios contínuos — que produziriam imagens devastadoras para a opinião pública mundial — os EUA optaram por uma operação relâmpago, de altíssima tecnologia e curta duração.
Segundo apurações divulgadas pelo jornalista Breno Altman, a partir de fontes diretas do governo venezuelano, da vice-presidente Delcy Rodríguez e de integrantes do comando chavista, a ação seguiu três etapas bem definidas.
1️⃣ Ataque cibernético massivo
A ofensiva começou no terreno invisível da guerra moderna:
- apagões elétricos em pontos estratégicos
- neutralização de sistemas de radar
- silenciamento de equipamentos antiaéreos, inclusive de origem russa e chinesa
O resultado foi a criação de uma vantagem tecnológica brutal: defesa temporariamente cega e espaço aéreo vulnerável.
2️⃣ Incursão aérea coordenada
Com a defesa comprometida, iniciou-se uma ofensiva aérea com:
- cerca de 150 aeronaves
- partindo de mais de 20 bases diferentes
- uso de F-22, F-35, bombardeiros B-1 e drones
Os alvos incluíram o Forte Tiuna, a Base Aérea de La Carlota, o aeroporto de Maracaibo e o porto de La Guaira.
3️⃣ O sequestro
Forças especiais atacaram diretamente o Forte Tiuna durante a madrugada. Nicolás Maduro e Cilia Flores foram surpreendidos enquanto dormiam.
Tentaram alcançar um bunker, mas foram interceptados. Toda a operação durou menos de uma hora.
Em seguida, foram levados a um navio anfíbio no Caribe e posteriormente transferidos para os Estados Unidos.
Não foi rendição. Foi combate.
A versão de que “não houve resistência” é falsa.
O esquema de segurança venezuelano reagiu, mas estava em clara desvantagem devido ao efeito surpresa e à assimetria tecnológica.
Somente no Forte Tiuna, mais de 40 venezuelanos perderam a vida. O governo cubano informou que 32 cubanos também morreram na agressão.
Isso não é rendição. Isso é combate em condições desiguais.
Não houve traição da alta cúpula bolivariana
Não existe qualquer evidência de acordo político entre o governo venezuelano e os Estados Unidos.
Após o ataque:
- o Conselho de Defesa Nacional foi reunido
- as instituições seguiram funcionando
- as Forças Armadas permaneceram coesas
- Maduro segue reconhecido como presidente constitucional
A única hipótese considerada é infiltração pontual ou cooptação individual — não uma decisão política do Estado.
Não é apenas petróleo: é dominação histórica
Não se trata apenas de petróleo. Os Estados Unidos são historicamente responsáveis pela manutenção da dependência econômica, do atraso tecnológico e da instabilidade política em grande parte da América Latina.
Toda vez que um país latino-americano tentou controlar sua indústria, suas terras ou afirmar soberania política real, enfrentou sabotagem, golpes, bloqueios ou invasões.
Isso ocorreu por meio de:
- invasões diretas: Cuba, Nicarágua, Granada, Haiti, República Dominicana, Panamá
- guerras por procuração: Guatemala, El Salvador, Honduras
- apoio a ditaduras militares: Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador
A história do continente confirma o padrão: quem tenta ser dono do próprio destino vira alvo.
A revolução bolivariana resiste
O golpe foi pensado para quebrar o Estado e o ânimo popular.
Não conseguiram.
- instituições seguem operando
- Forças Armadas permanecem coesas
- o governo atua de forma coletiva
- núcleos populares voltam às ruas
A agressão falhou em seu objetivo central: destruir a legitimidade política do processo bolivariano.